quinta-feira, 16 de agosto de 2007

signo e coisa II (ou explicação)

enseada era serenata líquida de som em harmonia
serenata era de vida, de deixe ir
enseada era serenata era esse
porque não sabíamos
e conhecer que uma enseada era aquilo a que não chamávamos
tirou de nós o mistério
e pensar levou-nos à metafísica alguma
e decifrar cegou-nos aos melhores códigos
de não dizer que comunicava
uma enseada de peso, tato, fluido, arrepio e cor.

2 comentários:

Ana disse...

Inspirado em um poema de Manoel de Barros que um amigo mandou.

Ana Claudia disse...

O tal poema é o seguinte:
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás da casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
(BARROS, 1993).

Isso mostra que esse meu não chega a ser um poema, mas uma explicação desnecessária, coisa minha. Funciona como a mesma história contada, contada, recontada a uma criança que ainda assim insiste em pedir a mesma história. Está elaborando.