sexta-feira, 2 de julho de 2010

pela janela entreaberta para um espantalho

ambiente - uma sala silenciosa pintada de azul claro.

personagens - um pardal célere, um observador



entrou um pardal pardo na sala azul,
acelerado na sala fixa,
inquieto, de voo curto, na sala quieta.
da janela até o sofá, do sofá até a janela
o que se via era
pantomima de corvo no céu.
no peitoril,
sem enxergar ou intuir
a abertura certa,
feito mariposa ele se debatia
contra o vidro antirreflexo,
que lhe era o sol, vedado.
espantalho móvel de susto,
mau agouro anunciado do azul,
também às vezes me sinto
um pássaro burro.



Ana Claudia Abrantes

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