segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Alícia

Há um vale atrás da balaustrada na curva do caminho,
mas quem chega só vê a superfície de flores.
O viajante sustenta os cotovelos e contempla
as cores que se estendem longamente,
mas não é um campo de flores.
Apóia os pés na reentrância da coluna para atravessar
e cai
sobre as hastes altas e flexíveis terminadas em botão,
no céu.

Um disfarce de flores para o abismo.




Ana Claudia Abrantes

9 comentários:

Ana SS disse...

Quem se arrisca?

Letícia Palmeira disse...

Abismos disfarçados é só o que vejo. O tempo todo. Ora me entrego, ora me escondo.

Beijo, Ana.

Pia Fraus disse...

Eu sempre imaginei que lá no fundo tem flores...

bjo

Nilson Barcelli disse...

Há muito abismo por aí disfaçado com flores...
Magnífico poema, gostei imenso.
Ana Cláudia, querida amiga, espero que o teu Natal tenha sido bom. E faço votos para que tenhas um excelente 2011.
Beijos.

Thiara Pagani disse...

Se não seduzir não é abismo.
Abismo bom é aquele que a gente tem vontade de deitar, como um campo de flores.

Vanessa Souza Moraes disse...

Nem tudo são flores. E os espinhos?

Pia Fraus disse...

na flor, o esconderijo do precipício...
adorei!

bj

Yan disse...

Sempre preferi chutar as flores pra longe e mergulhar de cabeça nos abismos... mas como a Susana acredita, sempre acabo encontrando novas flores amortecedoras lá me baixo...

Nilson Barcelli disse...

Querida amiga, passei para te desejar boa semana.
Beijos.