quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Segredos de andar com pipas




O segredo é não ficar completamente ereta.
Há de se ter um leve inclinar que no alto empina,
alguma coisa que se torne acima, que se erga orgulhosa,
mas que se estique como a pipa, ao mesmo tempo aérea e em molejo.

Uns ombros mais arredios que o esterno,
um esgar de meia entrada na sala, como se, estando ali, fosse inevitável estar em outro lugar.

Deslizar,
mantendo umas porosidades e recantos :
absorvências e visgos antes preparados com cerol, tempo e postes de luz.
Assim delgada, voar.

.
.
.

Prender,
em ocasiões incidentais.

Cortar, sem intenção...



Ana Claudia Abrantes

9 comentários:

Yan disse...

Cada vez que dou uma passada por aqui gosto mais... Apaixonante esse poema... lembranças de tempos que já foram... carinhosamente anacronico, alegremente nostalgico.

Fred Caju disse...

Como eram boas as guerras de pipa no céu...

Nilson Barcelli disse...

Há segredos que nos acompanham toda a vida...
Belas palavras, adorei.
Querida amiga Ana Cláudia, tem um bom fim de semana.
Beijos.

Rebeca dos Anjos disse...

Que lindo, Anna!

Pipa colorida que, com inocência, voa, corta e empina.

Gostei muito daqui! :)

Beijinhos!

Luiz Libório Alves disse...

Pra ter uma noção de como gostei, só me lembrou um dos meus textos favoritos: http://srjoao.blogspot.com/2011/12/prescindindo-dos-motivos-vamos-ater-nos.html

Obrigado.

Rosa disse...

Eu gosto muito do jeito que você escreve, não esperava menos pelo que já havia "ouvido" falar. Parabéns :)

ass. a piriguete do couch surfing e vou acreditar que isso não seja um juízo de valor, só uma identificação justa :)

Beijos!

Ana Claudia disse...

Piriguete que se identifica também se singulariza. Diga-me onde você escreve. Eu também queria te conhecer.
Um beijo, e que bom que gostou.

Rosa disse...

eu me escondo aqui
www.cervicalpoetica.blogspot.com

Rosa disse...

e aqui
www.desamelias.blogspot.com


Um beijo enorme!