meu nariz espremido
na janela do mundo
você passou na rua
quebrei o vidro e a janela
meu nariz ficou espremido
em você.
Ana Claudia Abrantes
Sem data
domingo, 2 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
estrelas e cruzes
papéis soltos não são contra o vento,
voam as pernas dos capoeiristas,
o calor sobe em ondas
e alguns cantam para subirem os espíritos.
por outro lado franjas são pendentes,
as águas sempre escorrem
e há os que temem o céu descendo no último dia.
embora nem sempre as palavras deslizem,
a gravidade chama até a luz e mais nada escapa.
porque a vida é feita de norte e sul, estrela e cruz
e até mesmo um anjo,
um dia,
cai.
Texto - Ana Claudia Abrantes
(Escrito na mesma ocasião de "Estrela e cruz", mas reescrito agora.)
Fotos - Agatha Franco
São João Batista - Botafogo - Rio de Janeiro
quinta-feira, 30 de julho de 2009
brevíssimos X
não peremptório
do gelo seco não sai água.
sobre desistir
en saio saio saio saio saio
Ana Claudia Abrantes
do gelo seco não sai água.
sobre desistir
en saio saio saio saio saio
Ana Claudia Abrantes
Coma
Ratos alimentados podem fazer parte da história. Os ratos chegam antes do jantar e ficam à espera.
Sempre que se está à espera uma sombra é figura.
Quando vultos de farelos caem da mesa eles correm.
Mas os farelos eram só a purpurina se soltando da toalha decorada.
Hoje nem tudo alimenta, mas tudo é brilho.
E todos os olhos fotofílicos se apertam no desespero das risadas.
Tudo que espera subsiste, enquanto tudo que queima morre mais depressa.
Ratos não queimam espontaneamente.
O jantar acabou e eles sobem até a tábua.
Os talheres frios, os copos abandonados, os restos inanimados, mas ainda odoríferos: subsistência.
O jantar corre sem o tilintar de garfos e pratos; não é uma festa.
E se come de pé, fazendo pequenos bolos com as mãos.
Há muito as velas se apagaram.
O silêncio escuro do jantar não abre sorrisos.
Ana Claudia Abrantes
Sempre que se está à espera uma sombra é figura.
Quando vultos de farelos caem da mesa eles correm.
Mas os farelos eram só a purpurina se soltando da toalha decorada.
Hoje nem tudo alimenta, mas tudo é brilho.
E todos os olhos fotofílicos se apertam no desespero das risadas.
Tudo que espera subsiste, enquanto tudo que queima morre mais depressa.
Ratos não queimam espontaneamente.
O jantar acabou e eles sobem até a tábua.
Os talheres frios, os copos abandonados, os restos inanimados, mas ainda odoríferos: subsistência.
O jantar corre sem o tilintar de garfos e pratos; não é uma festa.
E se come de pé, fazendo pequenos bolos com as mãos.
Há muito as velas se apagaram.
O silêncio escuro do jantar não abre sorrisos.
Ana Claudia Abrantes
Renitência
Formigas fazem ninho nos meus pulsos.
A água quente do chuveiro as elimina,
mas os buracos ficam.
Formigas fazem ninho nos meus pulsos.
A água quente do chuveiro as elimina,
mas elas sempre voltam.
Formigas fazem ninho nos meus pulsos.
A água quente do chuveiro as elimina,
mas não tapa os buracos.
Ana Claudia Abrantes
A água quente do chuveiro as elimina,
mas os buracos ficam.
Formigas fazem ninho nos meus pulsos.
A água quente do chuveiro as elimina,
mas elas sempre voltam.
Formigas fazem ninho nos meus pulsos.
A água quente do chuveiro as elimina,
mas não tapa os buracos.
Ana Claudia Abrantes
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Espelho d'água em temporal
A água do rio correndo vai escorrendo a copa das árvores.
Mas lá no alto as copas continuam ilhadas diante das margens.
É que as árvores não são águas e vão velozes,
mas para o mesmo lugar de onde saem.
E elas nem sempre desenraizam, só ficam instáveis.
No espelho caudaloso, as árvores
são quase pastosas.
Na cascata célere, as árvores
saltitam.
Geralmente as copas não partem, são porto
para homens e pássaros.
Até que o rio espelho bota corpo
na tempestade
e reflete, fluvial, o movimento secreto
dentro delas.
Ana Claudia Abrantes
Mas lá no alto as copas continuam ilhadas diante das margens.
É que as árvores não são águas e vão velozes,
mas para o mesmo lugar de onde saem.
E elas nem sempre desenraizam, só ficam instáveis.
No espelho caudaloso, as árvores
são quase pastosas.
Na cascata célere, as árvores
saltitam.
Geralmente as copas não partem, são porto
para homens e pássaros.
Até que o rio espelho bota corpo
na tempestade
e reflete, fluvial, o movimento secreto
dentro delas.
Ana Claudia Abrantes
Magoado
Até nisso era original. Saiu batendo a porta com o pulmão partido, só foi chorar no nebulizador.
Ana Claudia Abrantes
Ana Claudia Abrantes
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