
O segredo é não ficar completamente ereta.
Há de se ter um leve inclinar que no alto empina,
alguma coisa que se torne acima, que se erga orgulhosa,
mas que se estique como a pipa, ao mesmo tempo aérea e em molejo.
Uns ombros mais arredios que o esterno,
um esgar de meia entrada na sala, como se, estando ali, fosse inevitável estar em outro lugar.
Deslizar,
mantendo umas porosidades e recantos :
absorvências e visgos antes preparados com cerol, tempo e postes de luz.
Assim delgada, voar.
.
.
.
Prender,
em ocasiões incidentais.
Cortar, sem intenção...
Ana Claudia Abrantes
9 comentários:
Cada vez que dou uma passada por aqui gosto mais... Apaixonante esse poema... lembranças de tempos que já foram... carinhosamente anacronico, alegremente nostalgico.
Como eram boas as guerras de pipa no céu...
Há segredos que nos acompanham toda a vida...
Belas palavras, adorei.
Querida amiga Ana Cláudia, tem um bom fim de semana.
Beijos.
Que lindo, Anna!
Pipa colorida que, com inocência, voa, corta e empina.
Gostei muito daqui! :)
Beijinhos!
Pra ter uma noção de como gostei, só me lembrou um dos meus textos favoritos: http://srjoao.blogspot.com/2011/12/prescindindo-dos-motivos-vamos-ater-nos.html
Obrigado.
Eu gosto muito do jeito que você escreve, não esperava menos pelo que já havia "ouvido" falar. Parabéns :)
ass. a piriguete do couch surfing e vou acreditar que isso não seja um juízo de valor, só uma identificação justa :)
Beijos!
Piriguete que se identifica também se singulariza. Diga-me onde você escreve. Eu também queria te conhecer.
Um beijo, e que bom que gostou.
eu me escondo aqui
www.cervicalpoetica.blogspot.com
e aqui
www.desamelias.blogspot.com
Um beijo enorme!
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