
Ele abre a boca e é difícil entender o que diz pois sua voz é um arquipélago de vozes separadas pelo mar, mas a ira de uma legião é inconfundível:
- Não vejo essa encruzilhada que vês, eu vejo é um caminho reto, reto! Se ao menos encruzilhada eu visse. Quando eu fechar o portão atrás de ti, nem Hermes poderá voltar, nem tu! Essas flores são falsas, não nasceram no meu jardim vermelho, condeno-as; condeno-te. Que venha Zeus para arrombar a porta, que Deus recrie o mundo e se faça um novo Gênesis; trancarei todas as chaves de mim - e inclinando um pouco a cabeça e o tórax, pergunta de olhos fechados: - Mulher, mulher, por que me abandonaste?
Ana Claudia A.
9 comentários:
é que em você outros deus venho fazer a festa sobre as benções de Hardes que ao levar tudo nos possibilita o novo
Minha querida amiga Ana, este seu pequeno texto é fabuloso.
E tem passagens belíssimas. Por exemplo: "sua voz é um arquipélago de vozes separadas pelo mar".
Beijos.
A tragédia poética da mitologia... Nada é mais forte, belo e simples. Beijo!
Que lindo, mitologiaaa!!
Gostei do texto, das metáforas, gostei da foto
(;
na mistura do grego e do hebreu... uma mitologia, único d-us... e lá... a mulher!
até
Olá! Esta é a primeira visita que faço e gostei muito. Pretendo voltar outras vezes (acho que aqui ficarei mais culto). Um abraço!!!
Oh... to fincando aguniada... vai blogar mais ou não? rs
até
Obrigado pela leitura do Mais uma dose
Que forte, que lindo! parabéns!
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