por que não.
com você, meu rei de copas,
eu seria sempre
uma sacerdotisa indo embora.
a jugular arfou,
mas acabou em coágulo.
tomilho, açafrão, noz moscada
frutas coadas, balas e gomas
predadores do mar xenofóbicos
contra o câncer.
o vício linguístico é lícito.
Ana Claudia Abrantes
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
história da aranha pelas vidas
na primeira vez veio borboleta
com a asa quebrada desde a saída.
na segunda foi formiga
forte, mas neurastênica.
na terceira, um pequeno mosquito, mas nunca
até então nunca tinham-na visto aranha
delicadamente felpuda.
Ana Claudia Abrantes
com a asa quebrada desde a saída.
na segunda foi formiga
forte, mas neurastênica.
na terceira, um pequeno mosquito, mas nunca
até então nunca tinham-na visto aranha
delicadamente felpuda.
Ana Claudia Abrantes
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Juliet
Juliet está florindo de novo, e entre a clavícula e a tíbia ela engordou. O seu corpo no chão as coxas grossas sustentam. E o ventre a cada dia se insinua, não por semente, mas por idade. Os seios continuam, por enquanto saltitam para, quem sabe, perfurar pensamentos ou para arrancarem-se os bicos. Servem. O rosto nunca mais o mesmo os sulcos
cada dia mais profundos os olhos...
nunca mais inocentes, mas eles continuam brilhando por saudade.
Juliet está florindo de novo.
Arranquei as flores velhas e secas quando vi que não podiam mais e agora
eu vou queimar os meus gravetos e veias, pois só brotando de novo eu poderei
ser Juliet também.
Ana Claudia Abrantes
cada dia mais profundos os olhos...
nunca mais inocentes, mas eles continuam brilhando por saudade.
Juliet está florindo de novo.
Arranquei as flores velhas e secas quando vi que não podiam mais e agora
eu vou queimar os meus gravetos e veias, pois só brotando de novo eu poderei
ser Juliet também.
Ana Claudia Abrantes
terça-feira, 19 de outubro de 2010
reincidência
o quarto acordou com cheiro de passado, passei inseticida.
limpei gaveta, armário, chão, cortinado
tua imagem
deixei no porta-retrato.
Ana Claudia Abrantes
limpei gaveta, armário, chão, cortinado
tua imagem
deixei no porta-retrato.
Ana Claudia Abrantes
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
o tempo e o afogado
não é possível conter o avanço das cáries.
atrasar o relógio seria lúdico,
mas o corpo continua cansando
até a fadiga.
tento flashes e fotografias
para parar os dentes,
mas eles ainda escurecem
dentro da boca.
enquanto isso no fundo do rio
fazem força duas correntes.
elas se opõem e pesam.
é por isso
que o náufrago fica
ali para sempre.
Ana Claudia Abrantes
atrasar o relógio seria lúdico,
mas o corpo continua cansando
até a fadiga.
tento flashes e fotografias
para parar os dentes,
mas eles ainda escurecem
dentro da boca.
enquanto isso no fundo do rio
fazem força duas correntes.
elas se opõem e pesam.
é por isso
que o náufrago fica
ali para sempre.
Ana Claudia Abrantes
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Todas as putas poéticas, minhas amigas, são bem-vindas ( ou... Dividindo Orfeu)
Acordes não tocam sem acordar lobos, fadas e bruxas, igualmente.
Por uma outra música
nos meus ouvidos eu vou até o seu sax
que faz
o som que levanta e desata os nossos nós.
E para rompermos histéricas o silêncio da madrugada
com uivos roucos,
nós possuímos as suas cordas também,
barbarizamos você.
Por isso cante calmo, fale calmo, mas sem recitar, não afete,
que um poema afetado é um poema perdido
e não queremos deixar nada cair.
Mas abundância sem juízo
retratos espalhados, reincidências e crimes invictos
não são desperdício.
Sim, assim... um pouco mais lento e profundo, ou breve e eficaz.
Agora passe para o violão, o sol já vem sem blues.
Levante o dia para as possuídas, Orfeu Das Seis...
Um cheiro de mel de abelha e canela
misturou-se com o seu café forte,
que não bebemos bem acordadas: deliradas.
Entredormidas, vamos erguer palavras a partir de agora.
Com alguma prolação.
Então fica combinado assim:
de dia escrevo para arder à noite;
viremos em bando queimar aqui.
Ana Claudia Abrantes
Por uma outra música
nos meus ouvidos eu vou até o seu sax
que faz
o som que levanta e desata os nossos nós.
E para rompermos histéricas o silêncio da madrugada
com uivos roucos,
nós possuímos as suas cordas também,
barbarizamos você.
Por isso cante calmo, fale calmo, mas sem recitar, não afete,
que um poema afetado é um poema perdido
e não queremos deixar nada cair.
Mas abundância sem juízo
retratos espalhados, reincidências e crimes invictos
não são desperdício.
Sim, assim... um pouco mais lento e profundo, ou breve e eficaz.
Agora passe para o violão, o sol já vem sem blues.
Levante o dia para as possuídas, Orfeu Das Seis...
Um cheiro de mel de abelha e canela
misturou-se com o seu café forte,
que não bebemos bem acordadas: deliradas.
Entredormidas, vamos erguer palavras a partir de agora.
Com alguma prolação.
Então fica combinado assim:
de dia escrevo para arder à noite;
viremos em bando queimar aqui.
Ana Claudia Abrantes
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